Impossível desenvolver com cortes de 80%
João Cunha e Silva sublinha que a Europa não pode ter várias velocidades

O vice-presidente do Governo Regional alertou ontem, no encerramento das X Jornadas Autárquicas das Regiões Ultraperiféricas (RUP) da União Europeia e Cabo Verde, que não é "possível promover um desenvolvimento inteligente, sustentável e inclusivo, quando confrontados com cortes abruptos na ordem dos 80%". E considerou que isso será pôr a UE a várias velocidades contrariando o sonho dos fundadores e que pode até resultar na "inevitabilidade da exclusão e na discriminação negativa dos cidadãos europeus ultraperiféricos".

Um discurso, no essencial coincidente com a intervenção na cerimónia de abertura do presidente do Governo que criticara a má-vontade do Comité em atribuir fundos monetários às RUP.

João Cunha e Silva admitiu ser verdade que a Região tem um "estatuto próprio", mas recordou que a Madeira não tem um "tratamento diferenciado, exigível face às circunstâncias geográficas, designadamente no âmbito da política de coesão", acrescentou, perante uma plateia de autarcas da Madeira, dos Açores, das Canárias, Cabo Verde e ainda da Martinica.

Entre os maiores activos, o governante destacou "o mar, a diversidade biológica, o posicionamento geoestratégico e as capacidades de diálogo que os povos das RUP asseguram", viabilizando em seu entender, a cooperação internacional europeia.

No entanto, considerou que pouco do valor desses activos, quando usado, reverte, "directamente em favor das RUP", lembrando ainda que o esforço que as RUP têm vindo a fazer, em termos de fortalecimento da coesão do espaço comum europeu não tem, na sua opinião "correspondido ao reconhecimento da parte das autoridades comunitárias".

Por seu turno, Manuel Baeta, presidente da AMRAM - Associação de Municípios regozijou-se por verificar que a confederação, desde ontem liderada pelo presidente da federação Canária de Municípios, Manuel Barroso, "tem vindo a ser reforçada", e por conseguinte, apresenta-se "mais forte e mais poderosa", indispensável, afirmou o autarca social-democrata para "uma significativa representatividade em Bruxelas salvaguardado os interesses das RUP", quando, relembrou está em preparação o novo quadro (2014-2020) de apoios comunitários, acrescentou o edil calhetense.

A terminar, salientou o presidente da AMRAM, a importância das regiões ultraperiféricas no domínio marítimo,conferindo uma importante extensão geoestratégica à Europa.
 


sexta-feira, 13 de Julho de 2012
Diário de Notícias

Anterior No items in this loop