Reginaldo Faria visitou Câmara de Lobos
O Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos recebe nos Paços do Concelho, a 17 de Novembro, pelas 12:00 Horas, o Presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias e o irmão Reginaldo Faria, descendentes de madeirenses, naturais de Câmara de Lobos. O Avô, António Figueira Faria, nasceu na Quinta do Leme. Roberto Farias será alvo de uma homenagem no 6º Festival Internacional de Cinema do Funchal, a 19 de Novembro.

Reginaldo Faria é um destacado autor de telenovelas, mas Roberto Farias, para além de figura destacada do cinema brasileiro, é uma personalidade de renome mundial no campo da sétima arte, que será alvo de uma homenagem no âmbito do 6º Festival Internacional de Cinema do Funchal, que está a decorrer de 12 a 19 de Novembro.
Roberto Farias, que teve um "s" adicionado ao seu sobrenome por erro do cartório, nesta deslocação à Madeira, faz-se acompanhar de outros membros da família, que visitam pela primeira vez a terra dos seus avós, entre eles o seu irmão Reginaldo Faria, que por ser autor e ter desempenhados vários papeis nas telenovelas brasilietas transmitidas em Portugal, acaba por ser popularmente mais conhecido de entre o público em geral.
No Salão Nobre dos Paços do Concelho, o Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Arlindo Gomes, promove uma receção e pequena dissertação sobre o Concelho, após à qual os convidados poderão deixar o seu testemunho no Livro de Honra.
Realizador, Produtor e Distribuidor de filmes, autor do clássico O Assalto ao Trem Pagador (1962), Roberto Farias foi Director-Geral da Embrafilme na sua fase áurea, entre 1974 e 1978, quando os filmes brasileiros ocupavam o primeiro lugar na preferência dos espectadores de cinema das salas do Brasil.
Nascido em 1932, em Nova Friburgo (RJ), começou a sua carreira cinematográfica nos anos 1950 como assistente de realização da Atlântida e em algumas produções de Watson Macedo, depois de ter deixado de lado estudos de Arquitectura.
Realizou os seus primeiros filmes entre 1957 e 1960, num ritmo de trabalho impressionante: Rico Ri à Toa (1957), No Mundo da Lua (1958), Cidade Ameaçada (1958) e Um Candango na Bela Cap (1960) dos quais Cidade Ameaçada foi escolhido para representar o Brasil na selecção oficial de Cannes de 1960 sendo, portanto, de entre os pioneiros dos filmes do Cinema Novo brasileiro - que nessa época começava a despontar - o primeiro a obter o reconhecimento daquele que é, ainda hoje, o mais prestigiado dos festivais internacionais, num ano vasto da cinematografia mundial, onde em Cannes o seu filme competiu ao lado de La Dolce Vita, de Federico Fellini, que foi galardoado com a Palma de Ouro, e L’Avventura, de Michelangelo Antonioni, que receberia o Prémio Especial do Júri, entre filmes de outros grandes cineastas como Ingmar Bergman, Jacques Becker, Luis Buñuel, Jules Dassin, Vincente Minnelli.
Em 1964 dirigiu Selva Trágica (1964), que teve um grande sucesso de crítica, embora uma repercussão pública inferior à dos seus primeiros filmes.
Com Toda a Donzela tem um pai que é uma Fera (1966) fez o filme que haveria de ficar na história como um marco das comédias de costumes de inspiração e localização carioca.
Ao mesmo tempo que, com Luiz Carlos Barreto, ajudou a fundar a Difilme, distribuidora independente, com o grupo Cinema Novo, dedicou-se também à sua própria produtora, a R. F. F., empresa familiar com o seu irmão Riva Faria, e à Ipanema Filmes, uma verdadeira fábrica de sucessos, como Os Paqueras (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa (1968) e Roberto Carlos a 300 quilómetros por hora (1971), todos estes dirigidos pelo próprio Roberto Farias. 
Em 1973 realizou, com a colaboração de Hector Babenco na autoria do argumento, o documentário de longa-metragem O Fabuloso Fittipaldi, protagonizado por um dos mais célebres campeões das corridas de Fórmula Um e que ficou a constituir outro marco nos filmes desta especialidade, hoje em dia disputado pelos coleccionadores como uma raridade, como de resto acontece com os filmes que realizou com o mítico cantor Roberto Carlos.
Seja na iniciativa privada ou em cargos públicos, sempre teve como meta a ocupação do mercado brasileiro pelo filme nacional, bem como a sua projecção internacional, aliando a uma sólida formação cultural a capacidade de acção que fez dele um dos grandes expoentes do panorama cinematográfico.
 A sua gestão na Embrafilme - empresa de capital misto que financiava a produção com os lucros obtidos na distribuição dos filmes brasileiros - e a sua presença no Concine - entidade estatal reguladora do mercado - coincide com o período de maior audiência do filme brasileiro em relação ao produto americano, quando a distribuidora da Embrafilme foi líder do mercado durante três anos seguidos.
Ambas as entidades foram extintas mais tarde pelo governo de Fernando Collor.
Em 1981, depois de abandonar as suas funções na direcção da Embrafilme, realizou Pra Frente Brasil, primeiro filme a falar explicitamente da tortura da ditadura militar, premiado nos festivais de Berlim e Huelva e, principalmente, filme de grande afluência popular nas salas brasileiras.
Assinale-se que é, antes de mais, um homem que soube aliar acção, empenhamento cívico e capacidade de comunicação intelectual, como também o demonstra a sua actividade como Produtor de filmes como Azyllo Muito Louco (1968), de Nelson Pereira dos Santos, ou Os Machões (1973) e Barra Pesada (1977), ambos do irmão Reginaldo Faria, entre outros.
O seu filme mais recente para exploração em sala foi Os Trapalhões e o Auto da Compadecida (1987), em plena decadência da Embrafilme, cuja actividade era sistematicamente boicotada pelos agentes do ”império do mal” da distribuição americana, exactamente antes dos anos de chumbo subsequentes à era Collor e ao extermínio da possibilidade de comunicação através da expressão cinematográfica com o público brasileiro por ela acarretados.
Lutador incansável pela liberdade de expressão, consciente do tremendo poder de comunicação da televisão, colocou, depois disso, o seu grande talento e a sua inventiva à produção de miniséries televisivas, onde impôs a prevalência dos princípios da linguagem e da técnica cinematográficas, renovando modos de produção que revolucionaram aquilo a que talvez já possa chamar-se a “linguagem televisiva”.
Premiado e distinguido nacional e internacionalmente em festivais de cinema, viu recentemente a sua obra cinematográfica ser reconhecida com especial destaque na “bíblia do cinema”, a publicação francesa Cahiers du Cinema.
Roberto Farias é desde 2006, o Presidente da Academia Brasileira de Cinema.
 
 

quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
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