Muitas, quentes e boas
Em vésperas da Festa da Castanha, e apesar da produção ainda estar a despontar para uma colheita animadora, os proprietário dos muitos soutos que ‘cercam’ a isolada freguesia do Curral das Freiras já ‘esfregam as mãos’ de contentes, com as perspectivas de uma substancial melhoria na produção deste ano.

Essa é pelo menos a expectativa unânime testemunhada esta semana pelo DIÁRIO.

“É um ano bom de castanhas”, confirma João Abreu, proprietário de uma banca de fruta no largo junto ao centro da freguesia. Além de comerciante, é também produtor de castanhas. Reclama por isso conhecimento de causa sobre aquilo que acabara de afirmar. E se dúvidas houvesse, acrescenta que “nunca houve ano assim”, referindo-se à boa colheita que ainda agora arrancou, mas que já deixa garantias de este ser um ano em grande “na quantidade e na qualidade”, reforçou.

Por entre a habitual variedade de hortofrutícolas que comercializa, ‘a castanha do Curral’ é nesta época do ano o fruto cartaz. Mais ainda porque também apostou na venda de castanhas assadas, que além de contribuir para mais uma fonte de rendimento no pequeno negócio de família, ajuda igualmente a escoar a farta produção. Para o efeito adaptou uma velha arca congeladora a ‘assador’ de castanhas. A procura pelas castanhas ‘quentes e boas’, tem-se revelado um sucesso. “Domingo passado era uma fileira de gente. Transpirei aqui como um burro, mas valeu a pena”, reconheceu.

Se a produção de castanha está em alta, já a da noz regista um ano de acentuado declínio. “Este ano não vale nada”, sentencia, estimando uma grande quebra comparativamente ao ano passado. “Talvez um quarto ou até menos”, aponta.

Mas como o grande chamariz são as castanhas, João Abreu e a esposa, têm razões para sorrir. Mais ainda porque entende que a alteração da data da Festa da Castanha até é benéfica para o negócio. “Agora é que está bom, porque como passa a calhar ao fim de semana, sempre são dois dias de festa, que se espera de muita gente”, conclui.

O ‘bom feeling’ é também partilhado por outro produtor e proprietário de um estabelecimento de venda a retalho. Salvador Figueira confirma o sentimento reinante:

“É um ano bom, e bom em tudo. Tanto na quantidade, mas sobretudo na qualidade”, sublinha este empresário local.

Apesar de reconhecer que há notoriamente mais castanha na colheita deste ano comparativamente ao verificado no passado, ainda assim destaca acima de tudo a substancial melhoria na qualidade que o fruto apresenta. “Este ano a produção está a ser muito melhor porque não tem tanto bicho”.

Razões determinantes para as expectativas dos produtores locais de castanha estarem em alta.

Quanto à ‘mexida’ na calendarização da Festa da Castanha, lembra que “como este é o primeiro ano que se realiza no fim de semana, o melhor é esperar para ver o que dá”, refere cauteloso. Ainda assim não esconde ter um bom presságio: “Mas se calhar este ano ainda vai ser melhor que nos outros, porque em vez de um dia de festa que era praticamente o que acontecia antes, agora vamos ter dois dias de Festa da Castanha”, destaca. A expectativa é que a festa seja mesmo a dobrar, porque se há a firme convicção que o domingo registará mais uma enchente, a expectativa é que “dê também muita gente no sábado”.

E apesar de salientar que “a maior parte [das castanhas] ainda estão por apanhar”, Salvador Figueira garante que não vão faltar castanhas: “Haja gente para as comprar”, concretizou.
 


sexta-feira, 1 de Novembro de 2013
Bookmark and Share Diário de Notícias

Anterior No items in this loop