A BMCL

O edifício que abarca a Biblioteca Municipal de Câmara de Lobos é recente, contudo, há um percurso histórico anterior a não ser esquecido, delimitador do que veio a ser hoje a Biblioteca.
O trabalho desenvolvido em Câmara de Lobos no âmbito das Bibliotecas remonta às Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) que, desde os anos 60 até 1980, serviram o concelho com uma periodicidade mensal. Numa parceria entre a Fundação e a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, é inaugurada, a 1 de Outubro de 1980, a primeira Biblioteca fixa, na Rua São João de Deus, nº 5, junto ao edifício da Junta de Freguesia, onde funcionou durante vinte e quatro anos. Nesta fase inicial, os fundos documentais e materiais de apoio eram doados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Já o espaço e os recursos humanos foram disponibilizados pela edilidade.
 Inicialmente, o horário de funcionamento limitava-se ao período da manhã. Posteriormente, devido à enorme afluência, tornou-se imperativo alargar o horário, encerrando apenas para hora do almoço. Apesar de, a início quando surgiu, a Biblioteca ter sido considerada uma das melhores da ilha, quer devido às condições do seu espaço, quer graças à qualidade do seu espólio, a realidade é que o tempo passou e o espaço da Biblioteca degradou-se de forma irremediável, tornando-se imperativa a mudança. Procurou-se, assim, um espaço mais digno, transferindo-se a Biblioteca para o nº 14 da mesma rua, no primeiro piso da Casa da Cultura de Câmara de Lobos, em Abril de 2004.
A Biblioteca funcionou neste espaço durante cinco anos, dando-se início ao processo de informatização do catálogo de forma gradual, apenas do material livro. Enquanto isso, aprimoravam-se os planos para uma nova Biblioteca, devido à sensibilidade para as questões da cultura e da literacia dos então representantes autárquicos. Construído de raiz, o único projecto aprovado na região no âmbito da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, com o apoio da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, o actual edifício virado para o mar que fora pensado para o Ilhéu, mas que veio a ser construído na margem direita da Ribeira do Vigário, no centro da cidade, num local onde se supõe ter existido a Capela de Nossa Senhora de Belém[1], foi inaugurado a 3 de Maio de 2009, sendo, actualmente, uma Biblioteca virada para o futuro e para a comunidade, um espaço onde a tradição e a cultura se manifestam, um espaço onde as pessoas podem descobrir e cimentar a sua identidade, mas também consolidar novas aprendizagens.